Karla Bastos Karla Bastos

O poder da imagem na comunicação de massa

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A ótica é a parte da física que trata da luz e dos fenômenos da visão. A luz permite ver, mas é a semiótica que possibilita o entendimento. A interpretação que cada indivíduo faz depende das experiências vivenciadas por ele, por isso uma mesma imagem pode ser entendida de diferentes maneiras.

A imagem torna-se parte da memória, Rudolf Arnheim considera que o pensamento é visual, entende-se que a representação gráfica é agregada ao repertório cultural do indivíduo, tendo grande parcela em sua educação.

Os estímulos externos quando percebidos são transformados em imagens pela memória.

“A imagem – em grego – ídolos é o que sobrou do objeto percebido. É o que permanece retido em nossa consciência. A imagem seria o rastro deixado pela percepção.” (RAMOS; ZAGO)

Cada indivíduo age de acordo com seus conhecimentos, o homem erra, logo aprende que determinado método não deve ser aplicado para atingir determinada meta, a experiência é gravada na memória, que converte todos os vestígios da percepção em imagem, portanto a imagem constrói a realidade na mente, que guia o sujeito permitindo a identificação das configurações de seu ambiente e o que será benéfico ou maléfico a ele.

A interpretação das configurações sofre influência do ambiente, daquilo que rodeia o objeto e das experiências do passado.

“Toda experiência visual é inserida num contexto de espaço e tempo. Da mesma maneira que a aparência dos objetos sofre influências dos objetos vizinhos no espaço, assim também recebe influência do que viu antes.” (ARNHEIM, Rudolf, 1980)

Ao ver um objeto desconhecido o indivíduo fará uma análise buscando familiaridade com o mesmo, sendo inédito em sua vida, ele o avaliará juntamente com o contexto. Existe também a influência da instrução verbal, ao receber uma descrição de uma situação, o sujeito buscará em sua memória visual algo que se encaixe ao contexto descrito.

“(…) traços de objetos familiares retidos na memória podem influenciar a forma que percebemos, e que elas podem fazê-la parecer-nos de maneira completamente diferente se sua estrutura permitir.” (ARNHEIM, Rudolf, 1980)

Alguém com bom repertório cultural pode se defender do bombardeamento das imagens, tão utilizado para vender ideias e bens de consumo disseminados pelos meios de comunicação de massa como televisão, cinema, revistas, rádio, jornais, recentemente a internet e inclusive os quadrinhos. Designados como mass media, eles fazem parte do cotidiano do homem e funcionam como entretenimento, informação e educação. Os meios de comunicação de massa impõem de maneira sutil como seria o ideal comportamento da população, não há imposição, há simplesmente sugestões do que seria o padrão o a ser seguido, e também o que seria um comportamento repugnante.

Características fundamentais dos mass media são a velocidade e o grande número de pessoas alcançadas pela comunicação. A notícia deve ser transmitida rapidamente e o entretenimento tem que ser sempre inovador, o público anseia por novidades e originalidade. Na mesma velocidade que algo é transmitido torna-se obsoleto.

A audiência mede a eficácia do programa, e para agradá-la é necessário estar à frente, fazendo com que a comunicação de massa se torne uma grande fábrica de entretenimento.

O alto número de pessoas alcançadas através dos meios de comunicação de massa torna-se estratégico para orientar um país. Tudo o que é veiculado massivamente é absorvido com grande facilidade pelo público, principalmente se existe um apelo visual. O governo tem o poder de censurar e, muitas vezes, doutrinar o que será passado à população. (MORIN, Edgar, 1971). No sistema Socialista, por exemplo, o Estado é responsável por tudo, ele produz, censura e dirige. E até mesmo no capitalismo a iniciativa privada não é livre para produzir o que deseja, há uma burocracia que deve ser respeitada, o Estado, no mínimo, policia a produção. No sistema privado existe a preocupação de atingir o maior número de público possível, buscando dessa forma maior lucro, e no sistema de Estado há o interesse político e ideológico.

(…) O sistema privado quer, antes de tudo, agradar ao consumidor. Ele fará tudo para recrear, divertir, dentro dos limites da censura. O sistema Estado quer convencer, educar: por um lado tende a propagar uma ideologia que pode aborrecer ou irritar, por outro não é estimulado pelo lucro e pode propor valores de “alta cultura” (…) (MORIN, 1971).

A comunicação de massa como meio estratégico de vendas do sistema capitalista depende da criatividade para ser funcional, entretanto, o Estado não dá total liberdade para a sua produção. Existe a interferência da política nos mass media, mas o Estado também precisa do ardil do sistema privado em suas produções educativas, pois o público pode fadigar de suas criações. Neste momento busca-se a originalidade que somente o capitalismo oferece. Portanto, o governo utiliza os estratagemas do sistema privado para disseminar sua ideologia, assim doutrinando a população de seu país de forma sutil.

Edgar Morin, antropólogo, filósofo e sociólogo, lembra que a comunicação de massa tende a padronizar o produto cultural, tudo tem seu tempo de duração determinado, um filme, por exemplo, dura aproximadamente uma hora e meia. Até mesmo as histórias são convertidas em arquétipos e estereótipos constituídos em padrão. Não é incomum um autor sentir-se ofendido pelos padrões impostos pela mídia, ele não se identifica mais com sua obra e tem que aceitar o happyend porque assinou um contrato. A padronização cultural busca a homogeneização do público, o homem “ideal” é aquele que aceita uma visão geral e estereotipada de diferentes conteúdos, este, segundo Edgar Morin, é chamado de homem médio, mais uma cifra para a mídia. Os assuntos veiculados através dos meios de comunicação de massa são simplificados, de forma que facilite o entendimento e aceitação do público. O estereótipo é criado a partir da necessidade de rapidez da comunicação, o reconhecimento do público perante uma imagem tem que ser instantâneo, o que torna mais fácil se ele já tiver um pré-conhecimento do assunto. A imagem estereotipada reduz a necessidade de pensar do homem, ele olha e reconhece de imediato, passando por cima do processo de decodificação.

(…) Sua quantidade avassaladora e a rapidez de suas aparições, associadas à aceleração do tempo pessoal dos sujeitos resulta num processo em que não há tempo para a simbolização. É possível afirmar que a visualização pede um estereótipo, espécie de anti-símbolo, por apresentar o já pensado, dispensa a simbolização. (BARROS, Ana Taís, 2009)

Há grande corrupção no meio da comunicação, notícias podem ser deturpadas de acordo com interesses governamentais e até mesmo privados. O público tende a aceitar aquilo que é veiculado pelos mass media sem fazer grandes questionamentos. A infografia é uma ferramenta estratégica para a comunicação, está presente em meios estáticos como, jornais, revistas, internet, ou em animações, dá grande dinamismo ao leitor, atraindo seu público pela facilidade com que veicula uma informação, e também com sua estética. O estereótipo tem o papel de tornar uma notícia representada em um infográfico em algo palpável, pois como dito anteriormente, ele vem de um conhecimento pré-concebido, mesmo que superficial, otimizando sua fluidez e interpretação do assunto, aumentando a velocidade da comunicação. Juntamente com o uso preciso de dados e imagens o leitor é induzido a dar grande credibilidade à notícia veiculada, a confiança na informação ajuda a moldar a opinião pública a respeito de determinado assunto, já que não abre espaço para dúvidas. É difícil questionar a simplificação, ela mostra o essencial, não faz firulas e não deixa brechas para dúvidas, sua precisão vem da organização que deixa explícita a causa e consequência de um evento, e ainda comprova com dados numéricos, mapas, fotografias e diversos recursos visuais. A redundância presente neste tipo de ferramenta do mass media reforça informações sem que, muitas vezes, o leitor se dê conta, fixando os dados na memória do público com maior eficácia.

A imprensa procura agradar ao mesmo tempo pessoas de classes, sexo e idades diferentes, buscando a universalidade da massa, de forma a simplificar juízos de valores, a mídia leva inúmeros estereótipos à sociedade, o que pode levar a perda de particularidades regionais e à diminuição da criatividade cultural.

Um público que tem o mesmo tipo de visão universalizada a respeito do mundo tem, consequentemente, sonhos de consumo similares e comportamento padrão, o que é tão interessante para o capital quanto para o Estado.

A sociedade exige comportamentos padrões. A mídia não dita, mas mostra de forma a induzir o público a se portar como personagens inventados a partir de arquétipos. Segundo Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, a persona é a máscara que o homem usa perante o outro. Ele camufla o seu íntimo de forma a se adequar às normas impostas para uma boa convivência em grupo. Aquele que se identifica com sua persona tende a não aceitar seus defeitos, ignorar suas fraquezas e viver buscando o ser ideal, a autoimagem perfeita, desta forma abafa o seu verdadeiro “eu”.

Uma Persona dominante pode abafar o indivíduo e aqueles que se identificam com sua Persona tendem a se ver apenas nos termos superficiais de seus papéis sociais e de sua fachada. Jung chamou também a Persona de Arquétipo da conformidade. (BALLONE, 2005)

O homem é bombardeado por “seres ideais” através da comunicação de massa, que usa o conhecimento do inconsciente coletivo para convencer o indivíduo de que suas histórias são reais, portanto, suas sugestões comportamentais são plausíveis. À medida que um sujeito muda seu comportamento, desempenhando um diferente papel, o Ego tende a mudar sua direção. Um indivíduo sem equilíbrio psíquico pode ser induzido a determinados comportamentos, opiniões e ideais impostas por interesses governamentais ou do sistema capital.

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